FELIPE SCHMIDT FONSECA
UNIVERSIDADE ESTADUAL DE CAMPINAS INSTITUTO DE ESTUDOS DA LINGUAGEM, LABORATÓRIO DE ESTUDOS AVANÇADOS EM JORNALISMO -LABJOR, 2014

Esta dissertação relata as descobertas, hipóteses e conclusões de pesquisa a respeito de um tipo deprodução colaborativa que aproxima arte, ciência, ativismo, inovação, design, entre outras áreas.Concentra-se no surgimento, em anos recentes, dos assim chamados laboratórios experimentais -espaços articulados em rede nos quais tal produção toma corpo. São abordadas sob tal perspectivadenominações tais como labs de mídia, hackerspaces, Fablabs, entre outras. A pesquisa analisaalguns desses modelos sobre o pano de fundo do imaginário tecnoutópico, que afirma as tecnologiasde informação como instrumentos de combate à burocratização e à alienação da sociedade. Com oobjetivo de questionar a usual associação dos labs experimentais em termos gerais aodesenvolvimento da cibernética e em particular ao histórico do estadunidense MIT Media Lab, apesquisa explora outros fios narrativos para os múltiplos campos que influenciam a formação doslabs. Debruça-se ainda sobre o diálogo entre, de um lado, o contexto contemporâneo dos labs emdiferentes partes do mundo, e de outro a contribuição da ideia de uma cultura digitalparticularmente brasileira – que ao longo da última década proporcionou a construção de umdiscurso que aproximava software livre, diversidade cultural e políticas públicas de inclusão social.São debatidos em particular dois eixos da cultura digital brasileira: o compensatório, que buscariacorrigir distorções históricas incluindo populações na chamada era da informação; e o exploratório,que buscaria criticar e influenciar os caminhos futuros da articulação entre tecnologia e sociedade.A dissertação relata ainda pesquisa de campo desenvolvida na Finlândia, onde foram vivenciados apreparação de um festival internacional de arte e tecnologia, visitas a diferentes espaços que sesituam no campo dos labs experimentais, e o contato pessoal com integrantes de grupos e coletivosque atuam na fronteira entre cultura e tecnologia. Tais experiências contribuíram para acompreensão de elementos importantes dos labs experimentais, principalmente o aspecto da nãoconformação às expectativas de uma sociedade cada vez mais regida pela transformação de todaexpressão cultural em valor econômico. Esse entendimento é aprofundado ao fim da dissertação naimagem do lab experimental como espaço em branco que, ao mesmo tempo em que funciona comointerface entre redes digitais e as dinâmicas particulares dos locais onde se encontram, tambémsituam-se como instâncias de resistência e reinvenção frente ao capitalismo informacional de matrizcibernética.

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